Erro de Imprensa

Com o objetivo de dirimir muitas dúvidas dos leitores sobre o erro cometido pelo jornalista Joelmir Beting no Jornal da Band do dia 24/03/10, na comparação das reservas em moeda estrangeira e a dívida externa, apresento abaixo nova explicação com comprovações das fontes:

 

 

1 - Informação do Banco Central do Brasil – Reservas Internacionais no Banco Central do Brasil (Conceito de Caixa) em Fevereiro de 2010 – US$ 241,1 bilhões.

 

 

Quadro XLVI – Reservas internacionais no Banco Central do Brasil

 

Fim de período

Conceito caixa

 

 

 

 

 

Posição

 

 

 

 

 

 

1992

 

23 754

1993

 

32 211

1994

 

38 806

1995

 

51 840

1996

 

60 110

1997

 

52 173

1998

 

44 556

1999

 

36 342

2000

 

33 011

2001

 

35 866

2002

 

37 823

2003

 

49 296

2004

 

52 935

2005

 

53 799

2006

 

85 839

2007

 

180 334

2008

 

193 783

 

 

 

2009

Jan

188 102

 

Fev

186 880

 

Mar

190 388

 

Abr

190 546

 

Mai

195 264

 

Jun

201 467

 

Jul

207 363

 

Ago

215 744

 

Set

221 629

 

Out

231 123

 

Nov

236 660

 

Dez

238 520

 

Ano

238 520

 

 

 

2010

Jan

240 484

 

Fev

241 082

 

 

 

 

 

2 – Informação da Secretaria do Tesouro Nacional – Dívida Externa Líquida do Tesouro Nacional – R$ 97,0 bilhões.

 

2.1 - Sendo a taxa média do dólar nos meses de janeiro e fevereiro de 2010 de US$ 1,00/R$ 1,8107, o valor da Dívida Externa Líquida (Dívida Externa Bruta menos Reservas) foi de US$ 53,7 bilhões.

 

2.2 - O ilustre jornalista Joelmir Beting parte da Dívida Externa Líquida (já deduzida das reservas) e compara com a própria reservas, concluindo, de forma equivocada, segundo as suas palavras no jornal da Band do dia 24/03/10, o que segue: “O Brasil tem 5 vezes de reservas o valor da sua dívida externa”, dizendo mais ainda – “O Brasil possui para cada dólar de dívida 5 dólares de reservas”.

 

Conclusão correta.

 

Em fevereiro de 2010 o Brasil tinha reservas em moedas estrangeiras correspondentes a 81,78% do valor da sua Dívida Externa Bruta.

 

TABELA A7 – DÍVIDA LÍQUIDA DO TESOURO NACIONAL

R$ milhões

 

Fev10

 

 

I. DÍVIDA INTERNA

1.994.164,7

 

 

I.1. DPMFi EM PODER DO PÚBLICO\1

1.397.662,8

LFT

526.403,3

LTN

229.229,9

NTN-B

351.579,4

NTN-C

57.943,2

NTN-F

193.779,0

Dívida Securitizada

11.896,1

Demais Títulos em Poder do Público

26.831,8

I.2. DPMFi EM PODER DO BANCO CENTRAL

603.739,1

LFT

245.912,0

LTN

103.862,7

Demais Títulos na Carteira do BCB

253.964,4

I.3. (-) APLICAÇÕES OFICIAIS EM TÍTULOS PÚBLICOS

-23.752,1

I.4. DEMAIS OBRIGAÇÕES INTERNAS

16.515,0

II. DÍVIDA EXTERNA LÍQUIDA

97.307,0

 

 

II.1. DÍVIDA MOBILIÁRIA

76.578,4

Euro

7.865,3

Global US$

57.942,7

Global BRL

10.538,8

Demais Títulos Externos

231,6

II.2. DÍVIDA CONTRATUAL

20.728,6

Organismos Multilaterais

17.278,1

Credores Privados e Ag. Governamentais

3.450,5

 

 

III. DÍVIDA DO TESOURO NACIONAL (I+II)

2.091.471,6

 

 

DIVIDA DO TESOURO NACIONAL/PIB\2

64,2%

 

 

Obs.: Dados sujeitos a alteração.

 

\1 Inclui TDA e dívida securitizada.

 

\2 PIB valorizado pelo IGP-DI centrado.

 

 

 

Reflexão

 

Autor: Andrei Pleshu, filósofo romeno.

 

 

“No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal. Se fosse só isso, estaria bem. Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral ao risco da severidade injusta. Mas há no fundo dele um Brasil temível, o Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é proibido. O Brasil onde você pode dizer que dois mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste que pode provar”.

 

Ricardo Bergamini
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