Depoimentos sobre o movimento cívico - militar de 31 de março de 1964

Sáb, 27 de Agosto de 2011
Seção:
Categoria: 1964

Está página foi aberta para depoimentos de todos os participantes, civis e militares, do movimento cívico-militar de 31 de março de 1964, com o objetivo do resgate da verdade histórica. Participem!!!!!!!!

"POVO QUE NÃO RESPEITA SEU PASSADO E SUA HISTÓRIA NÃO É DIGNO DE FUTURO"

Depoimento do Coronel Médico da Aeronáutica da reserva Victor Leonardo da Silva Chaves



Causou-me repulsa a protérvia desse machacaz anarco-socialista a serviço da oligarquia financeira internacional, chamado Critóvam Buarque, conforme artigo disponível no final do meu artigo

Como não poderia deixar de ser, os "subversivos-terroristas" do passado, dentro da mediocridade que lhes é peculiar, atribuem todos os males do Brasil ao período dos Governo Militares, que eles chamam depreciativamente de ditadura. DITADURA teria existido se a Revolução de 64 não tivesse dado um basta à anarquia que as esquerdas vinham implantando no país, iludidas com o devaneio marxista de que só através da subversão que é possível atingir o Estado de Bem-estar Social. Fui testemunha dos tristes anos que se seguiram à revolução cubana. Comunistas, anarquistas, socialistas, queriam imitar a aventura de Fidel Castro. Em vez de construírem, destruíam primeiro para reconstruírem quando atingissem o nirvana comunista. Assistíamos, nós, os brasileiros, a todo momento, a vida do País ser perturbada pela atividade subversiva das esquerdas: greves, levantes militares (Brasília, fuzileiros no sindicato dos metalúrgicos no Rio de Janeiro, sargentos na Base Aérea de Canoas), sabotagens, desrespeito à Autoridade Pública, medidas demagógicas tomadas pelo governo de João Goulart que impediam a marcha da Justiça. Na área da educação, Paulo Freire explorava a infelicidade dos adultos analfabetos para pregar revolução popular. Essa atividade cancerosa precisava ser extirpada por qualquer meio, mesmo que fosse através de uma cirurgia cruenta.

O autor fala em prisões políticas. Prender assaltantes de bancos, seqüestradores, mantenedores de cárceres privados, sabotadores é dever de qualquer autoridade. Isso não configura "prisão política". A moral deturpada dos esquerdistas é que confundiam essas atividades criminosas com atividade política. Não acho que uma pessoa, que confunde atividade subversiva com atividade política tenha credencial para falar de moral. Ela é aética.

Condena a censura à imprensa. A imprensa tem que sofrer censura moral, se não acontece o que assistimos: novelas fazendo apologia da infidelidade conjugal, desrespeito de filhos à autoridade parental, estímulo à homossexualidade, noticiários sensacionalistas que emitem assertivas sem a devida comprovação e não respondendo penalmente pelo mal que causem a terceiros, programas infantis apresentados por pessoas com desajuste afetivo-sexual. É um paradoxo aparecer, em artigo que pretende defender a moral, críticas à censura de imprensa. Parece que o autor julga facciosamente. A imprensa só pode ser livre quando responder civil e penalmente por atos ou omissões. Não pode desfrutar de liberdade quem não aprendeu a obedecer e não é responsável. Liberdade é um corolário de obediência e responsabilidade.

Exílio de artista. Se os Governos Militares exilaram artistas que, através de sua atividade, apoiavam o terrorismo e a subversão, eles erraram. Deveriam tê-los processado como cúmplices da subversão e os trancafiados nas prisões, como é feito com qualquer criminoso.

Torturas. Realmente durante os Governos Militares houve tortura – tortura das vítimas do terrorismo, como os que tombaram no atentado no Aeroporto de Recife, como os seqüestrados (embaixadores americano, alemão e cônsules japonês e suíço), os reféns nos assaltos a bancos e nos seqüestro de aviões. Essa atividade subversiva das esquerdas dificultava a vida moral da Pátria. Mas traidor não tem pátria.

O Regime Militar não esqueceu a formação moral. O autor, mais uma vez, mente, como soem fazer os anarco-socialistas. Ele omite propositadamente as matérias de Moral e Cívica, Estudos Brasileiros, implantadas pelos Governos Militares.

O cinismo desse autor é repelente. Escreve um artigo sobre moral defendendo a imoralidade do terrorismo e da subversão. É demais.

Lamento não ter o endereço do autor para escrever-lhe uma carta, refutando suas falácias.

Cordiais Saudações.

Texto gerador da justa indignação de nosso irmão de luta

CAPITAL MORAL

*Cristóvam Buarque.

Durante décadas, o Brasil concentrou seu projeto de desenvolvimento nos resultados que obteria de investimentos de capital econômico. Procurou financiamento externo, mobilizou capital estatal, investiu em indústrias, proibiu importações, montou uma sofisticada infra-estrutura econômica, mas o País continuou subdesenvolvido. O Brasil esqueceu que seu futuro depende também de capital moral.

Foi o prêmio Nobel de economia Amartya Sen quem chamou a atenção para a necessidade de capital moral na promoção da riqueza de um país. Segundo ele, a honestidade do povo, especialmente dos líderes políticos, empresariais e profissionais, a auto-estima elevada e a motivação coletiva para os projetos nacionais têm um papel tão importante quanto os investimentos diretamente financeiros. Em nossa estratégia de desenvolvimento, esquecemos o capital moral.

A ditadura militar formulou um sofisticado projeto para o futuro do País, investiu os recursos que eram necessários, mas não levou em conta que todo o investimento fracassaria enquanto o Brasil sofresse a crise moral das prisões políticas, da censura à imprensa, do exílio de seus artistas, da tortura dos presos. A ditadura esqueceu a necessidade do capital moral que ela não tinha condições de atender.

A democracia parece ter espalhado a corrupção, e deixou de escondê-la. O resultado é uma degradação da moral, não mais pelo autoritarismo, mas pela conivência com a corrupção. Quinze anos depois do fim da ditadura, nosso capital moral não aumentou Parece que não percebemos ainda que a eleição de um único político reconhecido como corrupto tem efeitos negativos maiores para o futuro do País do que milhões de capital financeiro investido na economia.

O debate nas últimas semanas, no Congresso, é exemplo do que significa democracia, e ainda mais do que significa democracia tolerante. Democracia pela liberdade quando os senadores debatem publicamente seus próprios defeitos, democracia tolerante porque ficou apenas nas palavras. Os discursos não surtiram efeitos. A população assiste toda a luta política no Congresso como se fosse apenas um esporte, uma luta de boxe com palavras. A imprensa concentra suas análises em quem venceu e quem perdeu votos, não lembrando quanto perdeu o capital social do País, e suas conseqüências para o futuro da nação.

Depois de quinze anos, a democracia brasileira aumentou a desigualdade social. Nunca tão poucos foram tão ricos e tantos foram tão pobres. Isso abala a moral do País. A passividade diante da pobreza depreda o capital moral. Nenhum país pode ficar eficiente enquanto crianças continuam vivendo nas ruas, sem escolas, as outras com escolas sem qualidade.

Não há possibilidade de desenvolvimento enquanto pessoas morrerem por falta de assistência médica e milhões de desempregados voltarem para casa sem levar comida para os filhos. Não apenas por causa do desperdício econômico de não usar o potencial produtivo destas pessoas, nem só por causa da vergonha que esta situação causa em alguns, mas, sobretudo, por causa da indiferença de tantos diante da miséria.

Os debates no Congresso, nas últimas semanas, nos despertaram para a crise de corrupção na política, mas uma corrupção muito maior está presente em cada um de nós, independente do cargo, é a corrupção da indiferença diante da tragédia. Um povo indiferente não constrói seu futuro, porque a indiferença é o juro pago pela falta de capital moral.

Mas nada degrada mais o capital moral de um país do que pesar suspeita sobre parte da Justiça. Uma Justiça que não julgue a todos igualmente. Que use seu poder para, por vezes, acusar injustamente ou fechar os olhos diante dos corruptos. Não há possibilidade do Brasil ser desenvolvido enquanto toda a Justiça não for parte do capital moral do País: julgando sem diferenciar por amizade, perseguição ou conivência, sem condenar alguns e perdoar outros pela mesma falta. O tratamento diferenciado dado por uma parte da Justiça brasileira, conforme a simpatia ou a conivência com o réu é uma das provas da degradação do capital moral no Brasil.

Degrada também a moral brasileira o medo que impede as pessoas de se manifestarem diante da crise brasileira. Medo das críticas ou de perder eleições, medo do que fará a Justiça ou do que dirão aliados.

A crise moral brasileira é tão grande, que ao despertarmos para a corrupção jogamos a culpa apenas nos outros, especialmente os políticos, como se não tivéssemos, cada um de nós, uma parte na degradação do capital moral de todo o País. Critica-se a falta de moral cívica de um deputado ao dizer que representa o seu time de futebol, e não o povo de seu estado, como se cada um dos deputados não fosse também, em graus diferentes, representante de uma ou outra corporação, sem sentimento do povo e da nação. O corporativismo, tanto quanto a corrupção, degrada o capital social.

A indiferença diante da pobreza, a conivência e convivência com a corrupção, o abandono dos serviços sociais essenciais, a parcialidade da Justiça, a perda do sentimento nacional pelo corporativismo, a falta de auto-estima e o descompromisso com a coletividade, são fatos mais graves para a construção do Brasil do que a falta de recursos financeiros. A nossa dívida moral interior é mais grave do que a própria dívida financeira externa.

Sem uma forte e decente infra-estrutura moral de nada adianta todo o esforço de fazer a democracia funcionar e a economia crescer.

* O autor é Economista e professor da UnB. Ex- governador do Distrito Federal