"Guerra Suja? Operação URUBU!"

*Aimar Baptista da Silva



Sinceramente, não sei como classificar, com precisão, a Redação da "Folha de São Paulo" e, bem assim, as de outros periódicos tupiniquins de grande circulação. Ou são comunistas fanáticos, e aí não haveria surpresa nenhuma, haja vista a infiltração bolchevista que sempre ocorreu no "coração" daqueles jornais. Ou são tolos irrecuperáveis, que só vêem e acreditam na parte da estória que lhes relatam os "camaradas", nativos ou alienígenas. Ou são, desculpem-me o neologismo, "monoqueistas", isto é, seguidores de uma doutrina criada por eles mesmos, fundamentada em um único princípio que se opõe a si mesmo. Ou são daquele tipo de bajuladores covardes que adulam os "bolcheniquins" (bolchevistas tupiniquins) por deles temerem represálias que vão do puro e simples "patrulhamento ideológico" à violência de graus variados, fatalmente atribuídos a uma ... direita explosiva cuja existência e membros são desconhecidos.

 

Querendo mostrar-se paladinos da justiça e campeões dos direitos humanos, insistem em denunciar pretensos episódios de uma ... "guerra suja", movida pelo braço repressor de tudo quanto foi ditadura militar instaurada nos países do Cone Sul, durante as décadas 60/70/80 do século passado (!). Não ponho obstáculo nem contesto a ação desse "jornalismo-denúncia". Creio, porém, que qualquer denúncia deve ser investigada a fundo, em todos os seus lados e aspectos, levantando-se suas causas, conseqüências, implicações, pessoas e entidades envolvidas, entre outros muitos que tais. É aquela velha história do "quem?, que?, quando?, onde?, por que?, como?, ... e para que?". Porque, se assim não for, é barriga, é ignorância, é má fé, é proselitismo, é canalhice enfim. Que só serve  

Voltaram à clandestinidade e, por incrível que pareça, mercê de acordos políticos e alianças eleitorais, o comunismo desenvolveu-se um pouco e ganhou algum prestígio político, o que pode ser avaliado, com precisão, pela influência no meio sindical, pela capacidade de mobilizar as massas trabalhadoras em manifestações variadas e pela maciça infiltração no governo e na administração pública. Mas jamais deixaram de ser "uma minoria atuante e aterrorizante frente a uma maioria inerte e aterrorizada"! Não era para menos como nos prova o trecho de Luiz Mir em "A Revolução Impossível" : "Em 54, o PCB realiza clandestinamente o IV Congresso de sua história clandestina em São Paulo. É decidida a criação do Exército de Libertação Nacional para o assalto violento ao poder. São selecionados alguns militantes para serem enviados à União Soviética onde fariam o curso de oficial do Exército Vermelho". Prestes confirmou isto, como se pode ler numa das suas famosas cadernetas, apreendidas em 1964: "Será necessário restruturar o Exército afastando dele todos os elementos pró-imperialismo e reacionários, a quem se deve desarmar". Confirma-o, também, o almirante Paulo Mário, nomeado ministro da Marinha, após a revolta dos marinheiros, em substituição ao ministro Silvio Mota, demissionário: "Eu ia fazer uma limpeza. Ia expurgar praticamente todo o Almirantado e grande parte da oficialidade".

 

Em 1955 o partido apoia a candidatura Juscelino. Eleito, Juscelino não cumpre o acordo feito com os comunistas, que rompem com ele. Em 1956, a "desestalinização" ocorrida na URSS assinala o início dos "rachas" (dissenções) que vão caraterizar, desde então, o movimento comunista no Brasil, dividido em mais de 50 entidades entre partidos e movimentos subversivos revolucionários. Em 1960 o partido apoia a candidatura do general Lott no qual Prestes só vê um defeito: "ser um patriota equivocado em relação ao comunismo e à URSS". Lott perde para Jânio Quadros e os "camaradas" ficam na expectativa de uma "guinada à esquerda", tendo em vista a política de aproximação com o bloco de países socialistas efetuado por Jânio. Em 1961, Jânio renunciou ao governo. Os ministros militares, conhecedores da ideologia esquerdista e dos propósitos do vice-presidente João Goulart, vetaram a sua posse. Até mesmo porque Jango, que nessa época estava no exterior, em visita a países socialistas, havia feito um pronunciamento ao mesmo tempo grave e ameaçador, no qual "revelara sua intenção de estabelecer uma república popular no Brasil, acrescentando que, para isso, seria necessário usar as praças para esmagar o quadro de oficiais, que ele considerava reacionários.

 

Do manifesto dos ministros militares (30 Ago 1961) destaquei o seguinte: "... Estão as Forças Armadas profundamente convictas de que, a ser assim, teremos desencadeado no país um período inquietador de agitações sobre agitações, de tumultos e mesmo de choques sangrentos nas cidades e nos campos, de subversão armada, enfim, através da qual acabarão ruindo as próprias instituições democráticas e, com elas, a justiça, a liberdade, a paz social, todos os mais altos padrões de nossa cultura cristã. ... As próprias Forças Armadas, infiltradas e domesticadas, transformar-se-iam, como tem acontecido noutros países, em simples milícias comunistas". Precipitação ? Absolutamente, pois anteriormente Prestes havia lançado um manifesto, publicado no jornal comunista Novos Rumos (Ed 127 de 11 a 17 Ago 61), do qual destaquei o seguinte trecho : "Tendo como objetivo programático final o estabelecimento do socialismo, os comunistas brasileiros lutam por um governo que assegure a plena emancipação econômica do país, a eliminação da estrutura agrária atrasada, a ampliação das liberdades democráticas e a melhoria das condições de vida das massas populares, bem como uma política externa independente. Estão certos de que essas transformações constituem uma etapa prévia e necessária no caminho do socialismo".

 

João Goulart assumiu a presidência num sistema parlamentarista que ele não aceitava, estando disposto a trabalhar para voltar ao sistema presidencialista. Renato Mocelin, em "A História Crítica da Nação Brasileira", observou que "nesse período extremamente turbulento, Jango apoiava-se na chamada FPN (Frente Parlamentar Nacionalista), que congregava o ‘grupo compacto’ do PTB (ao qual pertencia o deputado Rubens Paiva), a ‘ala moça’ do PSD e até a chamada ‘bossa nova’ da UDN. Para executar as reformas de base, Goulart contava ainda com o apoio da FMP (Frente de Mobilização Popular), liderada por Brizola, congregando a ala esquerda do PTB, a UNE, as Ligas Camponesas e o P C do B. Vale destacar ainda a Ação Popular(Movimento de Católicos Progressistas) /fundada pelo cantado e decantado BETINHO!/, a CGT e a PUA (Pacto de Unidade e Ação), organismo intersindical". No dia 16/10/62, o general Mourão Filho anotou no seu diário: "Minha pregação agora, para a tropa, é a seguinte: a democracia esteve até aqui bem ameaçada por Brizola, João Goulart, Osvino et caterva ; depois que voltar o presidencialismo com o tal plebiscito, a democracia estará definitivamente em grave perigo".

 

O presidencialismo voltou à cena, com o plebiscito de janeiro de 1963. A partir daí teve início a administração sem estilo, caracterizada pela falta de autoridade, pela omissão, pela complacência, do que resultou instabilidade política, debilidade econômica (inflação galopante, baixos salários, queda na produção, desestruturação dos serviços, transportes e comunicações), agitação nas cidades (passeatas, reivindicações constantes por mais e mais direitos, greves sem razão de ser, greves de solidariedade às greves sem razão de ser), violência no campo (sucessivas ocupações de propriedades produtivas), graves ameaças de quebra da disciplina e da hierarquia militar (revolta dos sargentos em Brasília, rebelião dos marinheiros no Rio). O presidente estava cercado (ou cercava-se ?) de ministros e assessores comunistas que favoreciam tanto a agitação quanto a infiltração. O "comício das reformas", realizado no dia 13 de março, na Central do Brasil, no Rio, caracterizou-se pelos discursos violentos, abusados, ameaçadores. Cartazes exigiam "Legalidade para o PCB" , "Forca para os gorilas", "Reeleição para Jango". O que constrangeu e angustiou muita gente foi ver os ministros militares no palanque, junto a Jango, e tropas das três Forças dando cobertura à baderna e garantindo a segurança dos baderneiros. Diga-se de passagem que a maior parte do povo era favorável às reformas, realmente necessárias para solucionar a crise brasileira, mas não concordava com o rumo socializante que o governo lhes vinha dando.

 

Em reportagem de 31 de março de 1994, o Correio Popular, Campinas/SP, anotou : "Com a campanha pelo presidencialismo, começou a conspiração que culminaria em 31 de março de 1964. Dois anos antes, no Palácio do Planalto, Jango dissera a Adhemar (de Barros) que a instauração de uma república sindicalista era inevitável e que as adesões deveriam ser rápidas, pois o tempo era curto ; Adhemar discordou, e Jango aconselhou-o paternalmente a exilar-se; a conversa correu as Forças Armadas". O marechal Odylio Denys, em "Ciclo Revolucionário Brasileiro", confirma tal fato, declarando que fora procurado em casa por Adhemar de Barros que lhe disse: Marechal, vim agora do Palácio, onde o Jango me convidou para o golpe que vai dar. O golpe é o seguinte: no dia 19 de abril, aniversário do Dr. Getúlio, vai haver um comício comemorativo em Belo Horizonte e nele vai haver barulho, para justificar a intervenção no Estado de Minas Gerais, e no dia 1o de maio, data do operariado, será outorgada a Constituição que implantará no Brasil o regime sindicalista". A gota d’água talvez tenha sido a manifestação de apoio a Jango, preparada pelo Clube dos Subtenentes e Sargentos, no dia 30 de março nos salões do Automóvel Clube do Brasil, no Rio. Tancredo Neves, então líder do governo na Câmara de Deputados, tentou convencer o presidente a não comparecer à festa, considerando-a como uma provocação à oficialidade. O general Assis Brasil, chefe da Casa Militar, atalhou Tancredo afirmando que os ministros militares concordavam com a manifestação e iriam, inclusive, comparecer a ela. Ao que Tancredo retrucou: "Deus faça com que eu esteja enganado, mas creio ser este o passo do Presidente que irá provocar o inevitável, a motivação final para a luta armada". Enquanto isto, em Minas Gerais, o governador Magalhães Pinto e os generais Mourão Filho e Carlos Luiz Guedes cuidavam de colocar a tropa mineira em marcha.

E chegou o dia 31 de Março de 1964! Revolução ou Contra-revolução? Golpe ou Contragolpe?

 

Moniz Bandeira assim se manifestou a respeito: "Assim, pelo seu caráter contra-revolucionário, o golpe de Estado antinacional e antipopular que derrubou Goulart não se conteria nos limites formais de uma legalidade estuprada ... E Castelo Branco, ..., emergiu da sombra como o candidato do governo invisível á Presidência da República, levando ao Poder a UDN e os oficiais da Cruzada Democrática, cujos desígnios ditatoriais o suicídio de Vargas, ao acender a fúria popular, retardou por dez anos". Gorender, dirigente comunista, confirma Moniz : "Nos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária e o golpe direitista se definiu, por isso mesmo, pelo caráter contra-revolucionário preventivo. A classe dominante e o imperialismo tinham sobradas razões para agir antes que o caldo entornasse. A hegemonia da liderança nacionalista burguesa, a falta de unidade entre as várias correntes, a competição entre chefias personalistas, as insuficiências organizativas, os erros desastrosos acumulados, as ilusões reboquistas e as incontinências retóricas - tudo isto em conjunto explica o fracasso da esquerda (sem eufemismos, gente, o fracasso dos comunistas!). Houve a possibilidade de vencer, mas foi perdida. Mais grave é que foi perdida de forma desmoralizante". Mocelim corrobora: "Indiscutivelmente, o grande erro das forças progressistas (sem eufemismo, gente, dos comunistas!) foi o radicalismo de alguns, a incapacidade política de muitos e a crença errônea de que a luta antiimperialista interessava à burguesia brasileira". E Prestes conclui: "A verdade sobre 64, enfim, não é outra: não nos preparamos como seria necessário. Acreditamos no Jango, no Assis Brasil e em seu esquema militar, no almirante Aragão, comandante dos Fuzileiros Navais, que garantia cortar a cabeça dos golpistas que se levantassem contra o governo. Ele também não resistiu e nós ficamos numa situação muito difícil. Na noite de 31 de março, muitos companheiros não tiveram para onde ir". Depois de tais afirmações, feitas por "gente competente", só os tolos chapados e a esquerda burra poderão, ainda, suscitar duvidas quanto à natureza do Movimento, Contra-revolução ou Contragolpe de 31 de Março de 1964.

 

Como afirmei anteriormente, a coisa não parou por ai ; os "comunas" não desistiram do seu objetivo de satelitizar o Brasil. Assim, "o Comitê Central do PCB se volta, em novembro de 66, para a construção de uma frente política, da direita à esquerda, para a derrubada pacífica da ditadura militar. O enfrentamento pacífico com a ditadura se baseava na derrota de 64 : fomos derrotados politicamente, portanto, podemos derrotá-los politicamente". Mas para garantir tal vitória Marighela deblaterava que "o Exército Brasileiro terá de ser derrotado e destruído por ser o poder armado da classe dominante". Resta a dúvida: como pretendiam os "bolcheniquins" destruir o Exército sem apelar para a luta armada ? Aí começa a "Operação URUBU": sem descartar a "Operação Abutre", centrada na URSS e na China, os "camaradas" foram colher ensinamentos, buscar orientação revolucionária, adquirir capacitação político-ideológica, captar fundos e conseguir armas, munições e apoio técnico em Cuba, onde reinava gloriosamente "D. Fidel ‘socialismo o muerte’ Castro". É quando "Fidel e Brizola comungando suas vontades e suas cabeças novamente, reafirmam a aliança que o golpe militar de 64 interrompera : e (surpresa !!!) para detalhar o que se pretendia foi enviado a Cuba, quase como um plenipotenciário, o "camarada" ... Herbert José de Souza, o cantado e decantado Betinho". Segundo cronistas vermelhos "a atuação cubana em relação ao Brasil, em termos militares - treinamento e concepção da luta de guerrilha - teve duas fases distintas : na primeira, coordenada por Fidel e Che, auxiliando e treinando integrantes das Ligas Camponesas, com apoio discreto da China ; na segunda, após o golpe militar, quando caíram por terra os planos de Brizola e Francisco Julião (leia-se "Ligas Camponesas"), Fidel assumiu o controle, tornando-se, em relação ao Brasil, o principal formulador da revolução armada.

 

A importância estratégica do Brasil para os comunistas continentais era tanta que a pretensão do "Dr. Chegue Vara" era estabelecer aqui, no Brasil, o seu quartel-general da revolução comunista na América Latina. Felizmente morreu na Bolívia antes de vir criar casos aqui, na "terra papagalli". Os cubanos entregaram a Brizola, para desencadear a revolução, US$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil dólares), assim distribuídos: 300 mil para a coluna militar-operacional, 300 mil para a montagem do esquema político-diplomático e infra-estrutura política, dentro e fora do Brasil, 400 mil para aquisição de armas e fundos de provisão. Coisa de que Prestes, tão bem informado (!), só tomou conhecimento através de notícias de jornais. Brizola fracassa e é descartado por Fidel Castro que dele afirmou : "Não tem competência para derrubar um general ; se eu estivesse lá as coisas teriam sido diferentes ! Os cubanos voltam-se, então, para Carlos Marighela que fora a Cuba pedir a benção dos "patrões" para a sua recém fundada Ação Libertadora Nacional. Como afirmou um militante comunista, a ALN nada mais era que um braço da Revolução Cubana Continental, destinado a desencadear a guerrilha de estilo cubano no Brasil. E se Marighela, sabujo-mór dos cubanos, era considerado uma estrela de primeira grandeza do comunismo tupiniquim, imagine-se o que seriam os "camaradas" subalternos ! A ALN inicia a fase de assaltos a bancos e empresas com o fim de "expropriar fundos" para a luta armada, necessários, como dizia a "estrela", para que "a direita, a burguesia e o Exército fossem trucidados". A ALN e outras organizações clandestinas não deixaram por menos : até julho de 1969 foram atacadas mais de 30 agências bancárias e um carro-pagador.

 

A mais volumosa "expropriação" deu-se na residência de Ana Capriglione , de onde foi retirado um cofre contendo dois e meio milhões de dólares ; por algum tempo os bancos ficaram livres de assaltos. Pelo menos da VAR-Palmares. A Vanguarda Popular Revolucionária, do desertor Carlos Lamarca, perdeu um milhão de dólares guardado por um diplomata africano na sua embaixada ; a descoberta desse fato ocasionou um incidente com o governo brasileiro e o diplomata teve de sair do país e o que sobrou do montante ficou retido na embaixada. Mas os "camaradas" roubavam também a arraia miúda, não se vexando de assaltar bares. O assalto ao trem-pagador da EF Santos-Jundiaí foi conduzido por Marighela que contou com inestimável participação de Aloysio Nunes Ferreira Filho, antigo pombo-correio da ALN em ... Paris, atual ministro secretário da presidência da república. Aqui cabe um comentário: o "camarada Mr. presidente" é pródigo em nomear seus auxiliares mais próximos entre terroristas e militantes com extensa folha de serviços prestados ao comunismo internacional ; ao mesmo tempo, "democrata" que é, não tolera que militares e policiais, tidos como torturadores, exerçam cargos ou funções a que têm o direito de exercer. O que não deixa dúvidas sobre qual o pai-nosso que ele reza. É muita cara-de-pau !

 

A ciranda de "expropriações" era tamanha que, num dado momento, o "camarada" Pedro Lobo tinha mais de 75 milhões de cruzeiros guardados em sua casa. Só para reorganizar e recompor sua estrutura clandestina o PCB recebeu de Moscou 240 mil dólares ; em 1974, o Fundo de Auxílio aos Partidos Comunistas enviou 210 mil dólares para o PCB, dinheiro trazido por Agliberto Vieira que o entregou, em Buenos Aires, a dois mensageiros encarregados de transportá-lo para o Brasil. Os argelinos também entraram na dança : entregaram 550 mil dólares ao MLP de Miguel Arraes ; desse total, ao que se sabe, nenhum centavo foi destinado à revolução ou às organizações da luta armada. Aliás, tal fato foi motivo de um "arranca-rabo" entre Arraes e um entrevistador de TV que teve a ousadia de perguntar ao "caboclão" (codinome de Arraes) qual tinha sido o destino daqueles dólares. Mas a coisa apertou, e chegou um tempo em que ficou difícil "expropriar"; como observaram os "camaradas’ Haroldo Lima e Aldo Arantes, antigos militantes da Ação Popular Marxista-leninista (AP ou APML), pois "as despesas cresciam assustadoramente e assustadoramente caiam as receitas. Os ‘camaradas’ tiveram, então, de apelar para as doações de propriedades e outros bens de membros da organização, que, com o desprendimento dos que lutam por causas elevadas, não se fizeram de rogados e entregaram à organização carros, terrenos, fazendas recebidas de herança e jóias diversas, tudo vendido para custear as despesas da subversão".

Quanto às armas e munições a coisa também foi volumosa. O Comitê Central do PC do B, por exemplo, durante a guerrilha do Araguaia, julgava, com certa inocência até, que conseguiria tomá-las das tropas do Exército enviadas para combater a guerrilha. O "camarada" Pedro Lobo, acima referido, além do dinheiro citado, guarda em sua casa 400 quilos de dinamite, 4 mil balas de metralhadora de mão, 5 mil tiros de fuzil automático, alguns fuzis M1 roubados do Parque da Aeronáutica, fuzis M2 contrabandeados do exterior, e armas menores roubadas da Casa Diana. Lamarca, ao desertar, roubou do 4o RI 63 fuzis FAL e dois morteiros. O "Dr. Chegue Vara" pensava em trazer armas compradas de contrabandistas internacionais para o seu projeto no Brasil. A primeira remessa de armas enviada por Cuba, em 1967, consistia num total de cinqüenta fuzis e submetralhadoras tchecas, com munição para um ano e seis meses ; consta que esse material foi enterrado numa fazenda em Guarani, Goiás, estando lá até hoje. As armas e munições foram usadas em ações terroristas, atentados a bomba, confrontos de guerrilheiros urbanos com as "forças de repressão", confrontos de guerrilheiros com tropas das Forças Armadas no meio rural, seqüestros de autoridades e aeronaves, assassinatos e "justiçamentos".

Os "bolcheniquins" costumam se lamentar, perante a opinião pública nativa, da "guerra suja" que contra eles moveu o regime militar, no que são acompanhados por um bando de tolos, inocentes úteis e inúteis, a zurrar pelos ... direitos humanos. Gorender faz o seguinte balanço da "repressão": " 50 mil pessoas com passagem pela prisão por motivos políticos; 20 mil submetidas a torturas pelos mesmos motivos; 320 militantes de esquerda mortos pelos órgãos repressivos, aí incluídos 144 dados como desaparecidos (desconte-se deste número pelo menos uma centena de mortos em confrontos armados na guerrilha urbana e rural); centenas (?) de baleados em manifestações públicas, com uma parte incalculável de mortos (no máximo estas centenas ou seja 999); 8 mil acusados mais 11 mil indiciados em 800 processos judiciais por crimes contra a segurança nacional; centenas (no máximo 999!) de condenações a penas de prisão; 4 condenações a pena de morte (que não foram executadas!); 130 banidos do território nacional (a maioria responsável por seqüestros, atualmente considerado crime hediondo! ); milhares (no máximo 999.999, o que, certamente, é um número exageradíssimo !) de exilados (aí incluídos os auto-exilados ou exilados com passaporte!); 780 cassações de direitos políticos com base em ato institucional; incontáveis (mas nem tanto!) reformas, aposentadorias e demissão do serviço público por atos discricionários. Se somarmos tudo isso, considerando que cada número corresponde a pessoas diferentes, e aproximando para maior, teríamos 1.100.000 (um milhão e cem mil) pessoas, número que supera qualquer exagero que possamos imaginar. Farei apenas um comentário: se confrontarmos os dados de Gorender com os do "Brasil: nunca mais" e os de Lima e Arantes, os números são escandalosamente díspares. Velha tática bolchevista !

A "repressão" também teve os seus mortos: pouco mais de uma centena, todos bem identificados, portanto nenhum desaparecido. Não estão incluídos nesse número os possíveis mortos na "repressão" à guerrilha do Araguaia que estatísticas não autorizadas colocam entre 4 e 200. Mas a mídia não fala deles. Quem se lembra, por acaso, do tenente Mendes Júnior, da Polícia Militar; ou do almirante Nelson Gomes Fernandes, do jornalista Régis Carvalho e dos dois guardas-civis cujo nomes os livros não registraram, todos mortos num atentado contra o general Costa e Silva, no aeroporto do Recife; ou das outras quatorze pessoas feridas nesse atentado, algumas gravemente mutiladas; ou do major Martinez, do sargento Camargo e do soldado Kosel, do Exército; ou do sargento Walder, da FAB; do delegado Otávio, da Polícia Civil; ou de tantos outros militares, policiais civis e militares, gerentes, funcionários e vigilantes de empresas, e mesmo civis que ou passavam pelo lugar certo na hora errada ou foram mortos por simples suspeita? Ou ainda dos estrangeiros como o capitão Chandler (acusado de ser agente da CIA), o major Otto Maximilian (morto por engano; o alvo deveria ser o capitão boliviano Gary Prado, responsável pela morte do "Dr. Chegue Vara") e o jovem marinheiro Davi Cutheberg (assassinado simplesmente porque os terroristas pés-duros queriam prestar solidariedade ao IRA). A mídia também não registra a frieza com que os cronistas botocudos registram essas mortes, que consideram como meros acidentes de percurso na sua luta pela implantação do socialismo no Brasil.

Posto isto, e para não me alongar mais, creio que posso definir, não para os "camaradas" das redações mas para quem estiver realmente interessado em recuperar a realidade da nossa História recente, o que é a OPERAÇÃO URUBU: Operação Urubu é o nome que atribuo a um esquema de cooperação entre organizações comunistas do mundo inteiro e que pode ser comprovado por documentos públicos ou privados das mais diversas origens, inclusive esquerdistas. A coordenação da ação de partidos comunistas e organizações comuno-terroristas foi voltada para a desestabilização do regime militar do Brasil, visando a sua derrubada e conseqüente implantação de um regime comunista no País. A cooperação consistiu na troca de informações, treinamento militar, capacitação político-ideológica, fornecimento de armas e munições, contribuições em dinheiro e mesmo em recursos humanos.

Os serviços de inteligência da URSS, China, Cuba e outros países do bloco socialista também colaboraram com a subversão no Brasil. Mas atenção, pois eles não desistiram: atualmente desenvolvem campanhas de desmoralização contra as Instituições nacionais, especialmente as Forças Armadas, visando a enfraquecê-las e tornar o Brasil uma presa fácil do comunismo. Estão tentando levantar um muro de ... capim em torno do Brasil e ninguém faz nada seja por conivência, conveniência, omissão, comodismo ou medo, Alerta, Brasil !

(*) O Articulista é professor e Coronel da reserva do Exército. R. João Brásio,265 / CEP 13092-510 / tel - (0xx19) 3252-8348- Fax (0xx19) 3294-5996 Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Autorizo a publicação e/ou divulgação desta sem ônus para ambas as partes.

Campinas, SP, 21 de junho de 2001

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